terça-feira, 29 de abril de 2014

O exemplo da Igreja de Antioquia.

A igreja em Antioquia é uma referência essencial para as igrejas dos nossos dias. Sua fundação e desenvolvimento dão-nos diversos bons exemplos que precisam ser considerados por nós hoje.

 A cidade de Antioquia, capital da Síria, era a terceira mais importante do império romano, atrás, apenas, de Roma e de Alexandria. Com cerca de quinhentos mil habitantes, era um importante centro comercial e cultural no primeiro século depois de Cristo.

A cidade também era uma referência do paganismo e da imoralidade que marcava o reino romano. Apesar de sua imponência, alguns irmãos que haviam saído de Jerusalém por causa da perseguição ao cristianismo, novos convertidos e leigos, foram para Antioquia e “começaram a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor Jesus” (Atos 11:20).

] O texto bíblico diz que a “mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor” (Atos 11:21). Foi tão impactante o início daquela igreja que as notícias chegaram à igreja em Jerusalém, de modo que os líderes da principal igreja até então enviaram Barnabé a Antioquia para apoiar o trabalho que se iniciava.

 Vários são os destaques da igreja em Antioquia. Muitos são os ensinamentos que podemos colher e aplicar na nossa própria comunidade. Em primeiro lugar, o poder miraculoso de salvação que chegou aquele lugar e muitos foram convertidos.

 Causa espanto o fato de uns poucos novos convertidos, por certo leigos, apenas trazendo sua própria experiência com o evangelho, alcançar cidadãos de uma cidade importante como Antioquia. Veja que aquela população era idólatra e politeísta, com pouca ou nenhuma referência do Deus de Israel e da significância do Cristo morto e ressurreto que lhes estava sendo apresentado pelos irmãos de Jerusalém. A questão é como pode esse pequeno grupo de irmãos conseguir alcançar tantas almas? E a resposta é simples: a ação poderosa do Espírito Santo, convencendo aquelas pessoas do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

 Outro ponto importante é a despreocupação de Lucas, o autor dos Atos dos Apóstolos, de declarar os nomes dos “irmãos” que levaram a mensagem ao povo de Antioquia. Diz o texto que “alguns deles... começaram a falar... contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor Jesus”. É só isso mesmo: alguns deles. Não poderia ser diferente, pois o personagem principal desses eventos é o Espírito Santo.

 Oxalá, o Espírito Santo seja o personagem principal da nossa vida evangelística. Que toda glória seja dada a Ele e que nós sejamos apenas coadjuvantes desconhecidos na obra do evangelho. O grande líder da obra era o Espírito Santo, de modo que muitos creram no Senhor.

 A mensagem impactante daqueles novos convertidos, aliada à operação extraordinária do Espírito Santo, fez com que aquele grupo de homens e mulheres pagãos enxergasse a nova fé em Cristo Jesus. Chama a atenção no texto também o fato de a igreja de Jerusalém ajudar a nova igreja em Antioquia.

 Eles mandaram Barnabé, um crente fiel e liberal (Atos 4:36), para estruturar o trabalho que se iniciava. Barnabé ficou impressionado com a fé daquela neófita igreja e começou o trabalho de edificação daquele corpo de Cristo, tendo tido a ajuda de Saulo de Tarso (Atos 11:23-25), de modo que muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor.

 Rapidamente a cidade idólatra é impactada pela mensagem do Senhor. Não foram os teólogos de então os responsáveis por esse grande mover do Espírito. Não foram os apóstolos de Jerusalém, mas um grupo de crentes novos convertidos cheios do Espírito Santo e da graça de Deus.

 A igreja em Antioquia estava baseada na Palavra de Deus (Atos 11:26). O texto diz que Barnabé e Saulo passaram o primeiro ano daquela igreja reunidos e ensinando a muitos. A força dos ensinos moldou de tal forma o caráter daqueles crentes que eles passaram a ser chamados de cristãos, literalmente, “pequenos cristos”.

 Que maravilha quando as pessoas podem enxergar Cristo em nós. Este, aliás, é o ideário do evangelho: fazer as pessoas iguais a Cristo. Paulo alerta para a necessidade de chegarmos à estatura de Cristo Jesus e de sermos seus imitadores (Efésios 4:13; I Coríntios 11:1).

 Jesus disse que faríamos as obras que Ele fez e até maiores (João 14:12). A novíssima igreja em Antioquia se torna referencial do cristianismo para sua comunidade. Oremos a Deus para que as nossas igrejas sejam referências do verdadeiro evangelho.

 Que as pessoas consigam ver Jesus em nós. O que se segue é maravilhoso. A igreja em Antioquia agora firmemente edificada retribui a ajuda recebida da igreja em Jerusalém (Atos 11:29-30). Que benção quando as igrejas estão unidas no único propósito de propagar o reino de Deus na terra. Que o exemplo de unidade das igrejas dos Atos seja a nossa prática nos dias atuais.

 Como consequência desse maravilhoso mover do Espírito Santo, a igreja em Antioquia se tornou uma referência também nos dons espirituais e ministeriais. Aquela igreja, implantada em solo pagão, mantém agora grupo de homens de Deus como profetas e mestres na Palavra (Atos 13:1). A ação do Espírito Santo se consolidou por meio de homens piedosos, usados de forma poderosa.

 A profecia, tão necessária para o crescimento da igreja, era uma prática comum naquela localidade, a ponto de haver predições a respeito do futuro (Atos 11:28) e comissionamento para a obra missionária (Atos 13:2-3). Este, aliás, é o ponto auge da estruturação da igreja em Antioquia.

 Uma igreja só é completa se tiver missões como um de seus objetivos e práticas permanentes. Aquela igreja orientada pelo Espírito Santo enviou Barnabé e Saulo para a obra missionária. Aqui mais um exemplo extraordinário.

Veja que o Espírito Santo envia exatamente os dois homens que ajudaram a construir aquela nova igreja. É engraçado que agora depois de estruturada, a ponto de ter suporte suficiente para ajudar outras igrejas, os principais líderes são enviados para a obra missionária, diga-se de passagem, o maior projeto missionário que se tem notícia.

 Qual seria a atitude de nossos pastores se tivessem que abandonar seus estruturados confortáveis templos, depois de anos de labuta no evangelho, para seguir em viagem missionária à África? É mais ou menos o que ocorreu em Antioquia. Barnabé e Saulo, depois de atuarem por anos estruturando a igreja em Antioquia, foram mandados pelo Espírito Santo para levar o evangelho a lugares longínquos.

 Para enfrentar, como se lê no texto bíblico, perigos, perseguição, fome, doenças e dificuldades. Mas, por outro lado, para salvar milhares e talvez milhões de pessoas em toda África, Ásia e Europa.

 Podemos afirmar com certeza que se evangelho se espalhou pelo mundo e isso efetivamente ocorreu, chegando, inclusive, até nós, devemos isso à igreja em Antioquia.

 O Espírito Santo é mesmo o autor dos Atos dos Apóstolos. Estes apenas coadjuvantes de uma grandiosa obra, na qual aquele foi o ator principal. A igreja em Antioquia se insere nesta história como exemplo genuíno de “ser igreja” e a principal força motriz humana da evangelização do mundo de então.

Mauro Lima: