sábado, 12 de janeiro de 2013

NÃO EXISTE PLANO B


Nossa sociedade ocidental vive debaixo da premissa de que todos os homens são iguais, principalmente influenciada pela visão americana que remonta a Declaração de Independência (04/07/1776) que diz: “Todos os homens são criados iguais”. Quando essa declaração foi feita baseava-se no conceito bíblico de que o ser humano foi criado à imagem de Deus e que por isso possuía um valor intrínseco. Essa moral americana foi propagada durante todo século XX e ainda persiste no século XXI ligado às ideias democráticas.

 Não podemos negar que essas ideias são interessantes e importantes no contexto humano, principalmente diante das injustiças e de sistemas políticos repressores. O problema mais sutil acontece quando essa visão passa para a igualdade das ideias, pois da mesma forma que cada pessoa é valiosa, suas ideias também são. Isso se torna mais perigoso quando caí no âmbito da fé, pois se assume que pessoas diferentes possuem pontos de vista religiosos diferentes e todos devem ser tratados de forma igual em essência. Isso gera uma linha de pensamento que diz que a fé é uma questão de gosto pessoal sendo, portanto algo particular. Ou seja, o pecado capital é afirmar que uma crença está certa e outra errada.

 Essa linha de pensamento sutil tem inundando o mundo pós-moderno e também a cristandade de uma maneira muito particular. No mundo pós-moderno a religião é algo pessoal, particular e emocional, de modo que cada um é quem julga o que é importante neste assunto, não mais um corpo doutrinário nem um livro religioso. Desse modo, uma pessoa pode ir à igreja no domingo, ler o horóscopo na segunda, se benzer na terça e receber um passe na sexta, pois o que vale é a intenção e a fé (que fé é essa ninguém sabe).

 Muitos cristãos e igrejas têm adotado essa ideia universalista de que a religião nada mais é que uma questão de preferência ou de opinião, de que todas as religiões em essência são iguais. Isso fica evidente principalmente na maneira como esses cristãos lidam com a igreja, pois na verdade a salvação está em crer em Deus e não necessariamente crer na verdade de Deus. Algumas igrejas passaram a adotar uma pregação mais light, menos doutrinária e bíblica, algo muito parecido com autoajuda. Nessa toada não se fala mais de sacrifício, de cruz, de negar-se a si mesmo; agora a moda é vitória, bênção, cura, fé vitoriosa e vida abundante (principalmente com muito dinheiro). Essa realidade é triste e agonizante, pois milhares de pessoas estão frequentando templos e igrejas pensando que estão salvas e um dia terão que encarar a realidade dura e cruel de que estavam enganadas.

 Paulo na sua Carta aos Romanos diz: “Pois o que se pode conhecer sobre Deus é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas, de modo que esses homens são indesculpáveis” (Romanos 1:19,20). Ou seja, Deus se revela continuamente às pessoas em todo o mundo. De uma maneira ou de outra as pessoas possuem certo tipo de conhecimento acerca de Deus. Mas isso não significa que elas O adorem ou lhe deem a glória devida, “porque, mesmo tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; pelo contrário, tornaram-se fúteis nas suas especulações, e o seu coração insensato se obscureceu” (Romanos 1:21). Isso nos mostra que a natureza humana tem rechaçado o verdadeiro conhecimento de Deus. A nossa natureza pecaminosa se rebela contra o conhecimento e a glória de Deus. Essa é a razão do ser humano criar seus ídolos, mentais ou de pedra, pois eles são mais fáceis de serem manipulados: “e substituíram a glória do Deus incorruptível por imagens semelhantes ao homem corruptível, às aves, aos quadrúpedes e aos répteis” (Romanos 1:23).

 Paulo vai investir um tempo considerável entre Romanos 1:18 até 3:9 para descrever como os gentios e judeus estão numa condição deplorável. Fica evidente que Paulo mostra a depravação humana em todas as suas cores, tão vivas que ele não hesita em dizer que essa humanidade é má, vergonhosa, que vive na luxúria de seus instintos, insensata, desleal, insensível e sem piedade. Ele vai usar o Salmo 14:1-3 para descrever essa humanidade: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se desviaram; juntos se tornaram inúteis. Não há quem faça o bem, nem um sequer.” (Romanos 3:9-12). Ou seja, não importa qual seja o pano de fundo religioso, cultural ou étnico de uma pessoa; ela é culpada diante de Deus, “... para que toda boca se cale e todo o mundo fique sujeito ao julgamento de Deus” (Romanos 3:19).

 Toda nossa reflexão até aqui é para que despertemos para algo muito importante. Não existe O plano B de Deus. Muitos imaginam que o ser humano é bom, que o importante é a intenção e a fé; no entanto, a verdade é outra. O ser humano não é bom, é rebelde e está longe de Deus. Ele não pode se aproximar de Deus por vontade própria, pois sua vontade está corrompida pelo pecado. Deus não nos deve o céu, pois na verdade somos merecedores do inferno. Não há seres humanos inocentes “Porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23).

 Pr. Gilson Jr.